sexta-feira, 13 de março de 2009

1ª. Aula

Um dia fiz um experimento. Fiquei diante do espelho e me perguntei “Como me sinto?” A primeira resposta foi uma tentativa de definir o estado da alma. Perguntei novamente “Como me sinto?” A segunda resposta e, curiosamente, todas as que vieram depois consolidaram a mesma tentativa. Fui interrompida por uma amiga, dançarina e professora de dança: “É o corpo quem sente”. Respirei fundo e novamente “Como me sinto?” Quase respondia que me sentia incomodada e impaciente em observar o estado do meu corpo, mas com um esforço intelectual encarnei em mim e tomei posse de todas as minhas células. “Como me sinto?” Eu me sinto com os pés calçados, aquecidos e protegidos por um par de sapatos. “Como me sinto?” Eu me sinto com as pernas dobradas e o bumbum amortecendo o peso do tronco, do braço esquerdo e da cabeça sobre a cadeira. “Como me sinto?” Eu me sinto com o braço direito em contato com o braço da cadeira. “Como me sinto?” Eu me sinto com a pele arrepiada e as mãos geladas de frio. “Como me sinto?” Eu me sinto com um olhar intenso e inquieto. “Como me sinto?” Eu me sinto como um ponto de uma circunferência de pessoas reunidas numa sala de aula. De repente o experimento se repetiu e o espelho que estava diante de mim se transformou em olhos de carne, em corpos de ossos, músculos, genes e chips, comandados por mentes holoinformacionais. “Quem sou eu?” Falar como me sinto, o que penso e o que sou é uma tarefa difícil principalmente quando estou diante de mim mesma. “Quem são vocês? Senão outros corpos que dançam dentro de mim?” Essa interatividade inicial entre uma memória do passado, uma cena do presente e um roteiro do futuro me permite formular as seguintes hipóteses: a relação self-corpo antecede a relação corpo-mundo; a arte tem uma função social de auxiliar o ser humano a compreender estas duas relações; e o cinema, em especial o cinema de animação, facilita esta compreensão uma vez que esta arte permite o indivíduo visualizar a unicidade entre espaço-tempo-forma tridimensional. “É preciso ver pra crer? É preciso crer pra quê?”

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